Simbiose de identidades e de problemas: Existe isso, de um casal virar “um só”?

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Quando ouvimos a frase que em uma relação “dois se tornam um só”, muitas vezes a interpretamos de uma forma romantizada, entendendo que isto seria possível e saudável para o relacionamento…. Vem saber mais sobre!

Claro que estar com alguém podendo compartilhar a vida e unindo forças é muito prazeroso, mas precisamos ter cuidado com a interpretação e extensão que damos a esta frase. 

Até que ponto entendemos este “virar um só” como um anular da própria identidade ou da identidade do outro, anular dos próprios planos ou os do outro, dos próprios gostos, da privacidade, e por ai vai? 

É muito comum vermos casais que, ao se unirem, perdem o limite das individualidades. Duas formas de erro são bem comuns e possíveis:

SIMBIOSE DE IDENTIDADES

As pessoas perdem a individualidade e não se reconhecem mais como identidades autônomas. Existem parceiros que se entregam excessivamente, não se conectam mais com consigo mesmos, com suas necessidades, gostos…

É como se a pessoa não precisasse mais pensar em si, em sua vida, em seus planos, já que está em uma relação!

No mesmo sentido, existem parceiros que pensam que relacionamento inclui um “apoderar-se” da identidade do outro, dando ordens conforme as suas próprias expectativas, exigindo que o outro faça ou não faça determinada coisa, veja ou não veja tal pessoa, que goste disso, que não goste daquilo…

Isso pode acontecer por um simples descuido, quando as pessoas não percebem que isso está acontecendo ou pela interpretação equivocada da ideia de união.  Antes de se conhecerem os parceiros tinham uma vida, uma identidade, um gosto, uma história! A perda de identidade e a habituação tornam a rotina pesada e enfadonha, o desejo sexual diminui e a relação corre o risco de cair em uma simples conveniência, podendo comprometer inclusive a intimidade sexual.

“Vejo casais que acham que seduzir dá muito trabalho, um trabalho que eles não deveriam precisar ter, já que estão casados. Vejo outros que acreditam que intimidade significa total transparência entre as partes. Eles abdicam de qualquer noção de individualidade, depois ficam se perguntando para onde foi o mistério.” (Esther Perel)

SIMBIOSE DE PROBLEMAS E RESPONSABILDADES

Exigir que o outro deixe de lado as necessidades dele ou que supra todas as suas necessidades torna um relacionamento simbiótico ou até abusivo. Trata-se da delegação para o outro de funções psicológicas próprias, como delegação de CUIDADO, de APROVAÇÃO, de ORIENTAÇÃO, de JULGAMENTO, de ALEGRIA, de SEGURANÇA, de FELICIDADE, entre outras.

Trata-se de entregar ao outro a responsabilidade de suprir as necessidades emocionais, físicas e estruturais. A pessoa deixa de se responsabilizar por suas DEMANDAS, DELEGANDO AO OUTRO ESTAS FUNÇÕES. Antes de estarmos em um relacionamento, fazemos atividades, mantemos contato e compartilhamos nossas necessidades com uma série de pessoas: temos os amigos que nos ajudam na solidão, temos a família que nos ajuda no pertencimento, praticamos esporte p nos sentir confiantes, investimos na profissão para nosso reconhecido, assim por diante.

Quando entramos em um relacionamento, porém, é comum passarmos ao nosso parceiro a responsabilidade de tudo, são todas as expectativas e responsabilidades em um único ser. Será correto isso? Será conveniente e justo atribuir ao outro tanta responsabilidade??… “ELE PRECISA ME FAZER FELIZ!!! PRECISA ME APROVAR!! PRECISA ESTAR DISPONÍVEL SEMPRE!  PRECISA ME VALORIZAR!”.

Muitas vezes, essas fusões de identidade e responsabilidade acontecem de forma automática, sem que os parceiros percebam. No início do relacionamento esta fusão é bem vista, é aceita, é até desejável, porque na fase da paixão os parceiros estão tão envolvidos, simbióticos, que as necessidades são muito coincidentes, ficando fácil suprir as necessidades do outro. Com o passar do tempo, porém, é muito comum existir um desajuste, seja porque um passa a esperar demais das funções do outro, seja porque um deixa de se responsabilizar, ou porque as necessidades mudam, etc

É muito mais leve viver um relacionamento onde dois inteiros se juntam, mostrando e oferecendo ao outro suas identidades e particularidades, para compartilharem uma parte de vida comum plena e feliz!

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